Número de mortes já ultrapassou Itália, Espanha e Estados Unidos

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) registrou 17 922 profissionais de enfermagem confirmados com covid-19 até 8 de junho. O número de infectados aumenta a cada dia entre a classe trabalhadora.



Enquanto, o número de mortes já alcançou 181 nesta segunda-feira. Dessa forma, enfermeiros e enfermeiras de todo o país denunciam a falta de estrutura nos hospitais e a desumanização da profissão.

Todos os dias a gente ouve colegas trazendo que mais colegas adoeceram e que mais colegas  morreram por conta da Covid-19 , declarou Viviane Camargo porta voz do Cofen, em entrevista exclusiva para o Lorena Bueri.

Na exibição do Jornal Nacional no dia 15 de maio, foi constatado que o Brasil tem o maior número de profissionais da saúde contaminados pelo coronavírus. Até aquele momento, o país tinha registrado 102 óbitos.

Enquanto, na Espanha 42 funcionários da saúde foram perdidos. Na Itália, esse número é um pouco menor, com 35 mortes. Então, como o epicentro do vírus no mundo, os Estados Unidos teve 27 enfermeiros e médicos que morreram.


17 922 profissionais de enfermagem contraíram a covid-19 no Brasil

Tabela do Observatório de Enfermagem com os registros atuais. (Foto: Reprodução/COFEN)


 De acordo com os dados do Observatório de Enfermagem, as mulheres tiveram a maior incidência do vírus. Com isso, enfermeiras representam 84,75% do casos confirmados e 64,09% dos óbitos. Quando olhamos para a faixa etária, os profissionais entre 31 e 40 anos apresentaram o maior número de testes positivos, totalizando 7 622 casos.

Contudo, foi os enfermeiros entre 41 e 50 anos que tiveram o maior número de mortes, com 48. Em seguida, a faixa etária de 51 e 60 anos registou 47 perdas.


Observatório de Enfermagem

Observatório de enfermagem: Dados e registros. (Foto: Reprodução/COFEN)


Portanto, mais enfermeiros morrem na linha de frente do combate ao coronavírus a cada dia. Mas por que o Brasil possui o maior índice de confirmados e óbitos?

Profissionais de enfermagem lutam por direitos

Segundo o levantamento feito pelo Observatório, os estados de São Paulo e Rio de janeiro são os mais afetados. Com isso, não é novidade que o estágio do vírus está mais avançado nas duas capitais e, assim, tem o maior número de profissionais da saúde infectados.

Contudo, ao olhar o número de óbitos e medir a letalidade, a situação é grave na região norte e nordeste. Dessa forma, a letalidade média do país entre os profissionais está em 2,38%. Enquanto, nas unidades federativas está:  

  • Amazonas: 190 casos confirmados e 11 óbitos. Letalidade: 5,78%
  • Pernambuco: 1 048 casos e 26 óbitos. Letalidade: 2,48%
  • Amapá: 170 confirmados e 16 óbitos. Letalidade: 9,41%

    Distribuição de casos de covid-19 por UF e sexo.

    Número de profissionais de enfermagem com covid-19 e que chegaram a óbito por estado. (Foto: Reprodução/COFEN)


De acordo com o presidente do Cofen, Manoel Neri, os profissionais de enfermagem não podem ser tratados mais como máquinas. 

Esta situação gravíssima reflete a escassez de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), treinamento adequado das equipes, profissionais de grupos de risco mantidos na linha de frente do atendimento, subdimensionamento das equipes, dentre outros fatores. Não somos máquinas”, afirmou Manoel Neri. 

Por isso, o Conselho Federal de Enfermagem acionou a Justiça para garantir os direitos dos profissionais. Assim, foi reivindicado o afastamento dos profissionais integrantes do grupo de risco das funções que exigiam contato direto com casos suspeitos e confirmados de covid-19. Outro ponto reivindicado foi a realização de testes nas equipes de enfermagem.

Para o coordenador do Comitê Gestor de Crise, Walkírio Almeida, os dados do Observatório são apenas “a ponta do iceberg.” 

Estes são os casos identificados, não representam a totalidade”, declarou Walkírio. 

Por fim, no dia 4 de maio, a decisão limiar aprovou a ação civil pública 1022991-69.2020.4.01.3400, garantindo o afastamento do grupo de risco dos hospitais.

Por: Ana Paula Moreira Oliveira

(Foto destaque: Enfermeiros na linha de frente. Reprodução/Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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