Nessa semana a Lista da Lorena apresenta uma lista que exalta o respeito

A Lista da Lorena tem acompanhado as notícias do “Vidas Negras Importam”, (Black Lives Matter). O movimento é uma ação de luta e resistência a favor da comunidade negra que se manifesta contra toda e qualquer ação de preconceito racial. A primeira vez que essa hashtag apareceu foi em 2012 quando um jovem negro de 17 anos desapareceu na Flórida. No mesmo ano um segurança que fazia vigilância matou a tiros um adolescente, também negro nos Estados Unidos. Houve uma grande mobilização por justiça racial iniciada pela revolta do povo quando souberam da iminente absolvição do segurança.



Então, essa mobilização ganhou força ao levantar a hashtag #BlackLivesMatter. No último dia 25 de maio, o afro-americano George Floyd, um ex-segurança, foi morto por policiais em Minneapolis nos Estados Unidos. Tal ato fez, de forma gigantesca, ressuscitar a campanha “Vidas Negras Importam”, e não só nos EUA, mas, também no Brasil, muitos estão levantando a hashtag clamando por justiça e pelo fim do preconceito.

No entanto, nesse intuito, a Lista da Lorena dessa semana resolveu reunir 5 obras que só, exaltam a beleza negra. Também, são longas que apontam a importância e a necessidade de valorizar todo ser humano independentemente da cor, do sexo e da classe social. Confira essa lista com sua família, e aproveite para pôr em pauta um assunto que ainda provoca certos tabus entre nós.

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1.Mãos talentosas (2009) é um clássico no topo da lista

Em “Mãos Talentosas”, Cuba Gooding Jr é Ben Carson. O clássico abre a Lista da Lorena dessa semana. (Foto: Reprodução/Netflix)


Todavia, não podemos deixar de elencar no topo dessa lista um clássico de respeito. Mãos talentosas desafia, desde o sistema educacional de um país, até as oportunidades do mercado profissional. Cuba Gooding Jr. dá vida ao médico Ben Carson. Sua esposa Sonya Carson (Kimberly Elise) é uma mulher incrível, negra, dona de casa, e super apoiadora dos sonhos do marido.

Embora o longa trace uma sequência narrativa cronológica e lógica, a história também nos remete ao passado. Carson tem que enfrentar o preconceito pela cor de sua pele e provar que, independentemente disso, ele também tem o “talento nas mãos” para salvar vidas. No entanto, Sonya Carson o alerta para o grande e arriscado projeto que o marido está abraçando. Em outras palavras, “negro não tem vez”.

Por fim, o longa consegue, numa sequência que nos envolve do início ao fim, nos transportar para a história. A família supera esse preconceito e consegue provar o seu valor.

 

2. What Happened, Miss Simone? (2015)

“What Happened, Miss Simone?”. (Foto: Reprodução/BBC)


A saber, a história de Nina Simone trata-se de um musical em formato de documentário. Uma cantora, pianista e ativista. O longa traz a biografia de Nina Simone com gravações inéditas, imagens raras de arquivo, cartas e entrevistas de pessoas próxima da cantora. O documentário retrata uma das artistas mais incompreendidas de todos os tempos.

Assim, o longa foi indicado ao oscar de Melhor Documentário e venceu o Prêmio Emmy Primetime na mesma categoria em 2016. What Happened, Miss Simone? é um documentário estadunidense de 2015 dirigido por Liz Garbus. Nina, na década de 60 foi uma grande lutadora pelos direitos civis aos negros nos EUA. Dona de uma voz implacável, ela transportou para a música seu grito de denúncia contra o preconceito racial.

Por fim, o documentário não deixa a desejar ao contar a história dessa grande mulher. Por trás, nos bastidores de sua vida, Nina também teve uma história sofrida. Seu marido Andrew Stroud a violentou e bateu inúmeras vezes e isso interferiu e muito em sua carreira. A filha do casal, Lisa Simone Kelly apresenta os traumas que carrega até nos dias de hoje.

 

3. Moonlight, sob a luz do luar (2016)

“Moonlight, sob a luz do luar”. (Foto: Reprodução/Diamond Films)


Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante, Moonlight, sob a luz do luar é perfeito para essa lista. O trabalho do diretor Barry Jenkins é impecável, aposta no “não-dito” de tudo o que se deveria dizer. Jenkins apresenta o seu diferencial ao trazer para as telas o drama e a dor de quem sobreviveu a vida toda sob traumas sociais.

Assim, o ator de inegável presença de cena, Mahershala Ali interpreta o traficante, Juan. Chiron (Ashton Sanders), aparece em cena de forma enigmática. Mas, o protagonista de Sanders surge no momento em que vê em Juan a oportunidade perfeita de conquista-lo. Chiron ganha a confiança de Juan tocando na maior de suas feridas: a ausência da paternidade.

Enfim, Jenkins tem uma proposta com Moonlight que vai além da verbalidade. Ele aposta na contemplatividade cinematográfica. Temas como a homossexualidade, o abandono familiar, a depressão, o refúgio no crime e no tráfico são abordados de formas bastante definidas. E, ao abordar esses temas em específicos, o espectador percebe que o diretor os contemporiza, permitindo a nós, enxerga-los lado a lado na atualidade.

 

4. Felicidade por um fio (2018)

“Felicidade por um fio”. (Foto: Reprodução/Netflix)


A fim de “quebrar” um pouco esse ritmo, acrescentamos na Lista da Lorena Felicidade por um fio. Uma comédia romântica que aborda temas como autoaceitação, amor, empoderamento feminino, com aquele toque de humor a respeito do “aceitar o cabelo natural”, conforme veio ao mundo.

Então, dirigido pela Haifaa al-Mansour, a primeira cineasta da Arábia Saudita, o elenco conta com um time todo negro. Traz Sanaa Lathan (Violet Jones) e Ricky Whittle (Clint Conrado) protagonizando o casal principal. O longa é uma adaptação do livro homônimo da escritora Trisha Thomas, e tem o diferencial de focar sua história na transição capilar e empoderamento negro da protagonista Violet Jones.

Portanto, o filme vai muito além de um simples clichê de comédia romântica. Violet era uma mulher negra publicitária e muito bem-sucedida. Namorava Clint, um médico residente – também negro.  Além de se dedicar ao seu trabalho, Violet também se esforçava muito com relação ao seu relacionamento. Ela trabalhava duro para ser a namorada perfeita: sempre recatada, bonita e regrada. O ponto alto do longa gira em torno de um conflito interno gerado pela obsessão à vida perfeita, corpo perfeito, relacionamento perfeito.

 

5. O limite da traição (2020)

“O limite da traição” encerra a Lista da Lorena dessa semana. (Foto: Reprodução/Netflix)


Em O limite da traição, o diretor Tyler Perry apresenta Grace Waters. Waters é uma mulher negra, comum, que não apresentava nada de diferente. Interpretada pela Crystal Fox, no longa ela se vê acusada de assassinar o marido e desaparecer com o corpo. Bresha Webb surge no papel de uma mulher negra mais jovem no papel de uma jovem advogada, Jasmine Bryant. Pronto! A trama está completa.

Ademais, o filme é até difícil de assistir ao elencarmos o teor de sofrimento que Waters nos apresenta. Ao ir conhecendo o passado do marido Shannon, o falecido, percebe-se que ele estava longe de ser um marido ideal. E, que a jovem Bryant só queria provar que é uma boa profissional defendendo a causa de Grace Waters.

Por fim, é inevitável percebermos que o longa conta com vários clichês já gastos em filmes dessa categoria. O maior deles está entre Grace Waters e sua melhor amiga Sarah vivida pela atriz Phylicia Rashad. Cenas que tentam, de certa forma, “salvar” a dramaticidade que a história precisa para se manter.

 

Para a Lista da Lorena, Vidas Negras Importam, SIM!

Por fim, ainda sonhamos em viver num mundo em que o preconceito seja apenas uma página do passado. Preconceito, é mais que um desrespeito, ele tem se tornado a cada dia uma sentença de morte. Que essa Lista da Lorena seja um sinal de esperança a todos.

Em fevereiro de 2018, os fãs do universo nerd tiveram o grande presente de conhecer um herói da comunidade negra. O longa contou com um elenco todo protagonizado por negros trazendo Michael B. Jordan e Chadwick Boseman protagonizando vilão (Erik Killmonger) e herói (Rei T’Challa/Pantera Negra). O filme rendeu o primeiro oscar para o MCU com Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora, além de ter recebido outras indicações.

 

 

Por: Dione Afonso

(Foto destaque: Sanaa Lathan (Violet Jones) e Ricky Whittle (Clint Conrad) em “Felicidade por um fio”. Reprodução/Netflix)

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