Mulheres grávidas lidam com incertezas por causa dos sintomas da Covid-19, durante a gestação

Melania Amorim é uma médica brasileira de beira do leito e uma pesquisadora conhecida por denunciar o horror que é a morte materna, para ela: “Não há como dizer letalidade zero quando se fala de morte materna e Covid-19”, revelou ao site El País.


A morte

O escândalo da morte materna. (Foto: Reprodução/ Slavemotion/ Stock)


A equipe da Médica Amorim, levantou cerca de vinte mortes de mulheres grávidas pelo coronavírus no Brasil. Pois, em apenas 45 dias obteve mais mortes de grávidas que todas de 2019 pelo vírus H1N1. As fontes dos pesquisadores não são oficiais do Ministério da Saúde; já que não há levantamento sobre esse assunto em meio ao número de vidas perdidas pelo novo coronavírus.

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Daiane Galvão 25 anos, grávida de sete meses, morreu por Covid-19. Os médicos conseguiram fazer o parto de emergência e assim salvar o bebê. A jovem estava internada no hospital Jayme dos Santos Neves, foi feita uma cesárea de emergência para salvar o neném. Logo após, o parto Daiane teve uma melhora, mas depois seu quadro se agravou.

Quando ela já tinha ganhado a neném, ela começou a melhorar do coma induzido. Inclusive com a carta que a gente fez para ela, falando que a gente estava bem, que a neném estava bem, ela começou a chorar… Logo depois, no outro dia ela começou a piorar e aconteceu isso aí”, lamenta o marido, em entrevista à TV Vitória.

Não há estudos científicos que comprovem a relação entre gravidez e maior risco de morte materna por Covid-19

Decerto, o número de mortes por coronavírus continua crescendo no Brasil, o país é um dos epicentros globais do vírus. O pânico é tanto que é esquecido de mulheres grávidas, que são vulneráveis durante sua gestação.

Talvez alguns casos como de Daiane Galvão poderia ser evitado. Porém, é algo pouco falado, pois, o foco são os grupos de riscos, no qual elas não participam; já que não têm estudos científicos que comprovem que grávidas correm maior risco pelo vírus.

Um estudo feito na Agência de Saúde Pública na Suécia, calculou o risco de internação em UTI por Covid-19 de mulheres grávidas e não grávidas, entre as idades de 20 a 45 anos, os resultados mostram que o vírus é mais grave em mulheres grávidas e puerpérias. Isso quer dizer que mulheres gestantes teriam maiores chances em precisar de ventilação.

Além disso, o Reino Unido fez um estudo com base populacional, com 427 gestantes hospitalizadas por Covid-19. O estudo feito entre março e abril, mostrou que a maioria das mulheres grávidas hospitalizadas estavam no final do segundo ou terceiro trimestre. Os resultados do estudo indicam o quão é importante é o distanciamento social; primordialmente no final da gravidez, pois, a chance é reduzida de transmissão vertical do vírus da mulher para o feto.

Organização Mundial de Saúde diz: ‘Os dados são limitados’

Embora, a Organização Mundial de Saúde continue dizendo: “Os dados são limitados, mas atualmente não há evidência de que as mulheres grávidas estejam em maior risco de doença grave que a população em geral. No entanto, devido a alterações em seus corpos e sistemas imunológicos, sabemos que as mulheres grávidas podem ser seriamente afetadas por algumas infecções respiratórias”.

A realidade nesta pandemia é que mulheres gestantes são deixadas de lado, e não são incluídas no pacote emergencial. Não há medidas adotas e faladas para mulheres grávidas, até o momento.

Por: Nicolly Verly

Imagem em destaque: (Foto: Reprodução/ Site Estado de Minas) 

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