Entenda o porquê do consumo de bebidas alcoólicas aumentou durante o isolamento social

A pandemia da Covid-19 já está ao redor do mundo há cerca de cinco meses. A partir disso, medidas foram tomadas nos diferentes lugares do planeta, desde afastamento social,  isolamento, quarentena e até o lockdown, todas as nações encontram-se num estado de ansiedade constante e generalizada. Nesse caso, muitas pessoas encontram nas bebidas alcoólicas um refúgio e consolo.



Leia mais: Dicas Lorena: lide com a ansiedade nessa quarentena

Quais os motivos de ingerir bebidas alcoólicas durante a pandemia da Covid-19?

Ingerir bebidas alcoólicas durante pandemia. (Foto: Reprodução/EBC)


A ansiedade é uma das principais causas para o consumo de bebidas alcoólicas. As pessoas que estão trabalhando em home office estão lidando com uma maior carga de trabalho. Em outras palavras, um motivo que causa uma grande carga de estresse e ansiedade. Já no caso de quem está desempregado, trabalhando de maneira autônoma e informal, está lidando com a economia em queda e, por consequência, diversas dificuldades financeiras. Ou seja, todos possuem algum motivo de estresse e ansiedade.

A bebida pode servir como um calmante para relaxar e descontrair. Além disso, há o fator “socialização”. Na vida real, quando pensamos em beber imaginamos uma mesa redonda de bar com os amigos. Porém, os bares encontram-se fechados e a ideia de socializar foi repensada. Atualmente, as pessoas tem socializado por “festinhas” remotas em videochamadas.

As bebidas também são bem vindas, para muitos, durante as lives na quarentena. (Foto: Reprodução/ Ascom)


Seja uma comemoração de aniversário por videochamada ou até conversar com amigos em lives, não faltam motivos para abrir uma cerveja, conversar e confraternizar com amigos, cada um em sua casa. Só no mês de março desse ano, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, houve um crescimento de 22% nas vendas britânicas e 55% no comércio americano, de acordo com com o site Super Interessante.

“A gente já tem uma parte do cérebro dizendo que tomar algo vai melhorar as coisas, e aí vamos para as redes sociais e vemos os nossos amigos postando seus “drinks de quarentena” e seus happy hours no Zoom. Desse jeito, acabamos justificando para nós mesmos o hábito de beber com mais frequência, mesmo que isso já esteja fazendo mal”, afirma Annie Grace à BBC, autora de livros sobre como lidar com o alcoolismo.

Como o corpo reage?

Ao beber, estimulamos a dopamina, liberando prazer. (Foto: Reprodução/ depositphotos)


O álcool estimula alguns neurotransmissores no nosso cérebro, sobretudo o ácido gama-aminobutírico (GABA). Ele é o responsável por desacelerar as conexões neurais. Em outras palavras, desacelera todas as nossas funções cognitivas, tais como a atenção, memória, linguagem, percepção. Isso nos trás uma sensação de mente “solta”, um tipo de leveza ao ingerir as bebidas alcoólicas.

Entretanto, o efeito relaxante acaba rapidamente. Após cerca de meia hora, o corpo inicia um processo de rejeitar o álcool do sangue. Posteriormente, o estresse volta ainda mais forte. Com a intensão de cessar a rejeição, voltamos a beber e, consequentemente, entramos num ciclo.

Além da estimulação da GABA, a ingestão do álcool acaba por estimular a liberação de dopamina, mais conhecido como “neurotransmissor do prazer”. Sua principal função é despertar os circuitos de recompensa do cérebro. Esse neurotransmissor é o responsável por fazer você desejar mais uma long neck da sua cerveja favorita.

Por: Raianne Romão

Imagem em destaque: (Reprodução/Roteiro do Vinho São Roque)

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