”Eu fiquei muito espantada com a enxurrada de críticas de muita gordofobia, de muito moralismo e preconceito mesmo, disse Preta Gil 

A influencer digital Camila Coutinho lançou, no início de dezembro de 2019, um Talk show, que chama Stupid Talks,no IGTV pelo Instagram (@camilacoutinho), a primeira convidada foi a cantora Preta Gil que falou sobre diversos assuntos, como preconceito, autoestima e também sobre sua vida pessoal e profissional.



Infância

‘‘A Preta criança era tipo Sol de Maria, minha neta. Eu era daquele jeitinho, é muito criativa, fantasiosa até dizer chega.Tinha um cachorro imaginário que andava comigo porque meus pais não queriam me dar um cachorro de jeito nenhum. Um dia eu falei: Ah é? Então vou inventar o meu!’’, e tinha. Dormia com ele abraçadinha’’.

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‘‘Imitava as Frenéticas, as Chacretes, queria ser a Gretchen. Usava maiozinho de oncinha que minha avó fez pra mim. Na época nem existia lycra de oncinha, mas eu me lembro que ela pegou um tecido não sei do que e fez um maiô de oncinha. Fez um chinelo, uma tamanca para mim de madeira e eu ficava na frente da televisão rebolando, imitando as Chacretes. Queria ser a Chacrete. Ou seja, Preta Gil, desde de pequenininha’’.

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Ambiente Tropicália 

Cresceu em um ambiente Tropicália de que tudo era permitido, era quase um Oásis dentro desse mundo que é a vida real que a gente vive.Na verdade era um ambiente onde era permitido ser quem é.

‘‘ É importante a gente falar do ‘‘tudo permitido’’, a gente tá falando de respeito, de liberdade individual, de cada um ter o direito de ser quem é, mas com muitas limitações no sentido de ter respeito às crianças’’.‘‘Era um ambiente muito rico, muito especial’’.

‘‘Não era podado e não era taxado, nem padronizado, nem rotulado’’.‘‘Ah,você é  magra e por ser magra, você é melhor’’.‘‘Não, você é gorda e você é feia. Não, não existia isso’’.

‘‘As pessoas eram quem elas eram, não tinha rótulo. Eu vivia com casais de todas as formações, pessoas de todas as classes sociais, cores, credos e a gente não distinguia ninguém por isso’’.

Início da carreira de cantora, seu primeiro disco ‘‘Prêt-à-Porter’’ e críticas

‘‘Lancei meu primeiro álbum em 2003. E ali eu entendi que eu não vivia no fantasioso mundo da Tropicália. Só naquele momento aos 28 anos, quando fiz aquela capa do meu disco. Uma capa onde eu estava seminua’’.

‘‘Ali eu percebi que existia uma coisa chamada ‘‘Moralismo, caretice’’. Então até então eu achava que todo mundo era como minha família, como meus amigos… Pessoas livres que respeitavam o próximo’’.

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‘‘Na época eu nunca imaginei justamente por ser essa pessoa criada nessa família. Eu achei que não ia causar nada, uma foto minha com os seios de fora. Eu falei: Imagina, eu vivo em um país tropical, abençoado por Deus. O carnaval, as mulheres seminuas, a praia…’’, imagina, isso não vai causar nada, só que não foi assim’’.

‘‘Eu fiquei muito espantada com a enxurrada de críticas de muita gordofobia, de muito moralismo e preconceito mesmo. Acho que por conta da minha forma física eu não fazia parte dos padrões, por eu não ser magra e aquilo foi para mim um choque. Porque eu achava que estava vivendo no mundo errado e foi difícil de encarar todas aquelas críticas’’.

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Emagrecimento e autoestima 

‘‘Acabou que eu não tive estrutura para aquilo e acabei me rendendo e acreditei realmente que devia emagrecer que não podia ser daquele jeito, acabei tentando me enquadrar nos padrões, fazendo dietas loucas, emagreci e fiz lipo’’.

‘‘Eu tinha uma autoestima concreta completamente inabalada’’. Trabalhava como publicitária e estava infeliz com o trabalho. Lembra que aos 15 anos, perdeu seu irmão e por isso teve compulsão por compras, foi até interditada, teve o cartão quebrado e tomou remédios e fez terapia. Depois acabou fazendo 4 cirurgias plásticas, todas, lipoaspiração’’.

Por Brunna Feitosa

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