O caso no mundo do K-pop que se tornou um dos maiores escândalos de abuso sexual nos últimos anos

Astros do K-pop Jung Joon-young, de 30 anos, e Choi Jong-hoon, de 29 anos, foram condenados, nesta sexta-feira, por um estupro coletivo que ocorreu em março de 2016, junto a outros três homens. O veredito foi decretado na última terça-feira, 23, pelo juiz Kang Seong-soo no Tribunal Distrital Central de Seul, na Coréia do Sul.



 

Foto (Reprodução/Youtube)


Segundo informações divulgadas pela BBC News, de acordo com Kang, “o bate-papo que eles tiveram mostrou que simplesmente consideravam as mulheres como objetos de prazer sexual e cometeram crimes extremamente graves. A punição estrita é inevitável, pois o dano infligido não foi adequadamente recuperado e as vítimas exigem penas severas”.

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Choi Jong-hoon, ex-membro do grupo F.T. Island, terá que cumprir cinco anos de prisão, segundo o tribunal. Já Jung Joon-young pegou pena de seis anos não só pelo estupro coletivo, como também pelo compartilhamento dos vídeos das agressões e dos encontros sexuais. Ele foi acusado de filmar a si mesmo fazendo sexo com outras mulheres e compartilhar as imagens na internet, sem o consentimento das vítimas.

Segundo o juiz, Jung estuprou mulheres que estavam “bêbadas e incapazes de resistir, as filmou nuas e fazendo sexo e depois as espalharam em um bate-papo em grupo”. Sendo assim, ambos também deverão cumprir 80 horas de um programa de reabilitação para violadores sexuais. E, além disso, não poderão trabalhar com nada relacionado a crianças e adolescentes durante cinco anos.

Caso é descoberto pela polícia por conta de outra estrela do K-pop

O caso contra os dois foi descoberto a partir de uma investigação policial relacionada à outra estrela do K-pop e ex-integrante da banda Big Bang, Lee Jong-hyun, mais conhecido como Seungri, através de um bate-papo em grupo onde Jung estava. Os vídeos ilegais dos atos sexuais foram distribuídos por Jung nessas salas de chat online. Nos conteúdos digitais, foram identificadas sete das vítimas.

Seungri está sendo também julgado. Ele é acusado de jogo ilegal atrelado a um escândalo de sexo e drogas. E foi indiciado por ter dado dinheiro a prostitutas para empresários visando aumentar o lucro dos seus negócios. Ele também teria feito comentários bastante desagradáveis nessas conversas sobre as mulheres. Depois do ocorrido, no final de agosto, Jong-hyun anunciou sua saída da banda CNBLUE e se desculpou pelas atitudes.

Jung também, após o escândalo em março de 2016, anunciou que sairia da banda. E que não estaria mais ligado à música. Na época, as acusações ainda não haviam tomado uma grande proporção, mas ele já havia comentado que tinha “cometido crimes que não poderiam ser perdoados”.

Mulheres coreanas têm vergonha e medo de serem julgadas

O veredito desta sexta-feira ocorreu poucos dias após a morte de Goo Hara, uma ex-integrante do grupo Kara. A jovem se suicidou após ter sido chantageada por conta de vídeos sexuais que foram compartilhados sem a permissão. Seu ex-namorado já tinha ameaçado acabar com a sua carreira no ano passado ao vazar imagens dos dois fazendo sexo.

Crimes como esse são conhecidos como “molka”. Cerca de 5.500 pessoas já foram presas no ano passado, segundo dados da polícia. Esses casos têm gerado diversas manifestações realizadas por mulheres em Seul com o lema “Minha vida não é seu pornô”. Muitas delas, ainda se sentem envergonhadas e temem serem julgadas. Quando, na verdade, elas não têm culpa, mas sim seus agressores.

Leia em nosso blog: Ex-integrante da banda sul-coreana FX é encontrada morta

Por Mariana Bertocchi

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