De acordo com Femama, 32,3% das pacientes com câncer de mama tiveram suas consultas canceladas

Para os pacientes que foram diagnosticados com câncer, a covid-19 aumenta os fatores de risco. Dessa forma, uma pessoa que luta contra um tumor encontra uma maior vulnerabilidade em tempos de coronavírus. Os pacientes que enfrentam um tratamento mais invasivo, como quimioterapia ou radioterapia, correm riscos ao terem que comparecer aos hospitais. De acordo com o coordenador de assistência do Instituto Nacional de Câncer (INCA), pessoas com imunidade baixa possuem um risco maior de terem complicações graves se foram contaminadas pela covid-19.



Pacientes que estão em quimioterapia, radioterapia, fazem uso de remédios que diminuem a imunidade e que foram operados em menos de trinta dias devem ser entendidos como grupo de risco”, disse Gilmar Mendes, coordenador de assistência do INCA.

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Como a cover-19 afeta pacientes com câncer:

O que é câncer? (Foto: Reprodução/INCA)


Um estudo recente publicado pela Cancer Discovery analisa a probabilidade de óbito caso um paciente oncológico seja infectado pelo vírus. Com isso, 218 pacientes com câncer que foram confirmados com covid-19 passaram a ser acompanhados por 22 dias pelos pesquisadores. Do total, 61 morreram.

Portanto, a pesquisa averiguou que 28% chegaram a óbito deste subgrupo. Nos Estados Unidos, a taxa de letalidade geral da população é 5,8%. Ou seja, a letalidade de pacientes com câncer é cerca de quatro vezes maior. Enquanto no Brasil, esta taxa geral é de 5,27% de acordo com os dados do Ministério da Saúde.

Ademais, um dos pesquisadores afirmou à imprensa o que pode estar contribuindo para o índice elevado. Assim, questões como fragilidade, idade e presença de outras doenças foram citadas como fatores de risco.

Mas como se proteger? Para pacientes oncológicos a questão é ainda mais complexa. Como realizar o tratamento e exames sem correr riscos no hospital?

Cancelamento de consultas

Durante a pandemia da covid-19, os pacientes com câncer tem passado por uma dura realidade nos hospitais e pronto-atendimentos. Reclamações de consultas desmarcadas, exames sem data de reagendamento e até cirurgias canceladas.

De acordo com o levantamento da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde de Mama (Femama) 32,3% das pacientes com câncer de mama tiveram o cancelamento de suas consultas. Enquanto, 22,6% atestaram o cancelamento de cirurgias.  Também, 16,1% das pacientes relataram falta de data disponível para exames de diagnóstico.


Como a cover-19 afeta pacientes com câncer?

Durante pandemia, o registro de mamografias diminuiu. (Foto: Reprodução/UOL)


Com isso, o oncologista Fernando Maluf, alerta sobre a espera para realizar exames de diagnósticos em entrevista com a Veja Saúde. “Muitos tumores serão diagnosticados em fase mais avançada do que aconteceria normalmente. Muitas pessoas que fariam exames de rastreamento oncológico vão deixar de realizá-las neste ano” comenta Fernando, fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC).

Dessa forma, exames que são essenciais para a descoberta do câncer, como colonoscopia, papanicolau, mamografia, tomografia de pulmão e biópsias tem diminuído desde o início da quarentena. Segundo a comparação dos números de biópsias realizadas este ano e no ano passado nos estados, houve uma queda geral no país.

  • São Paulo: em 2020, foram realizadas 5 940 biópsias. Enquanto, no mesmo período de 2019, foram registradas 22 680;
  • Ceará: neste ano, foram realizadas 4 993 biópsias. Já, em 2019,  foram 18 419;
  • Minas Gerais: um serviço de saúde no estado registrou uma queda de 8 402 (2019) para 1 676 (2020).

Outro levantamento muito importante foi realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e a Sociedade Brasileira de Patologia. Foi contestado  que cerca de 50 a 90 mil brasileiros podem ter deixado de receber o diagnóstico de câncer nos primeiros meses de quarentena.

Como um paciente com câncer pode se proteger

Diante do alto contágio do vírus covid-19, os pacientes oncológicos precisam adotar cuidados gerais durante o isolamento social. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) classificou as principais ações para se proteger:

  • Ficar em casa, quando não foi o dia de tratamento,
  • Se sair for realmente necessário, evitar lugares com muita gente e tentar manter distância de, pelo menos, um metro de outras pessoas;
  • Lavar as mãos com frequência e atenção por pelo menos vinte segundos;
  • Tentar não levar as mãos ao rosto
  • Cobrir nariz e boca com lenço (ou papel) ao tossir ou espirrar, e jogá-los fora logo depois.
  • Cumprimentar a distância, evitando aperto de mão, abraços e beijos, mesmo de familiares;
  • Evitar contato com pessoas que tenham sintomas de gripe;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal como toalhas, talheres, pratos e garrafas;
  • Higienizar objetos e superfícies tocados com frequência, incluindo celulares, chaves, maçanetas;
  • Usar máscara ao sair de casa.

Além disso, os pacientes com câncer devem tomar precauções ao comparecer no tratamento ou consulta:

  • Ter somente um acompanhante, com menos de 60 anos, se possível. O acompanhante não poderá ter sintomas de resfriado ou gripe;
  • Tentar manter distância de outras pessoas, mesmo da equipe de saúde;
  • Não ficar próximo de outros pacientes;
  • Evitar circular pelo hospital;
  • Não ficar no local de tratamento por mais tempo do que o necessário.

 

Por: Ana Paula Moreira Oliveira

(Foto Destaque: Símbolo da luta contra o câncer de mama. Reprodução/SulAmérica)

 

 

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