Durante o isolamento social, o lúdico ajuda na convivência com os filhos

Ademais, para doutor em educação, arte e história da cultura, o lúdico é importante para a assegurar o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças, algo essencial durante o isolamento social.



Há aproximadamente dois meses, o Brasil adotou a medida de isolamento social como consequência da pandemia da Covid-19, causada pelo novo coronavírus. Com isso, as crianças estão dentro de casa, numa rotina totalmente diferente do que estão acostumadas. E, por conseguinte, os estudos e a diversão dos pequenos passaram por algumas mudanças. Já os pais, precisam lidar com o desafio de trabalhar em home office, cuidar da casa e dos filhos. Uma das principais dificuldades é sobre como entreter as crianças durante tanto tempo, garantindo seu bem estar mental e emocional. 

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O momento atual está sendo difícil por diferentes motivos para diversas pessoas. Entretanto, esse é o instante de reduzir danos e pensar como pode-se aproveitar esse momento em casa com os filhos de maneira positiva. Segundo Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, o lúdico é de extrema importância para o público infantil. “Atualmente é inegável, como comprovam educadores e psicólogos, entre outros profissionais, a importância do brincar no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. No entanto, alguns pensam que essa atividade se restringe a elas, quando, na verdade, os adultos podem, e devem, participar desse universo, explica o doutor em educação.

Por que o lúdico faz tão bem para as crianças?

“Se brincar socializa, seja por meio da música, do corpo, do gesto e da escrita, também desempenha um papel essencial no sentido de mostrar a importância de saber partilhar, cooperar com o outro, comunicar-se e relacionar-se em diferentes situações, desenvolvendo respeito a si mesmo e ao outro, num processo que auxilia a autoimagem e a autoestima”. explica Oscar. Em outras palavras, o “brincar”, para as crianças, está atrelado diretamente ao desenvolvimento de diversas competências. Sejam elas cognitivas, de socialização, de expressão, corporal e oral e afins.

Como distrair os filhos dentro de casa durante o isolamento?

Primeiramente, é necessário estabelecer uma nova rotina para as crianças. Uma sugestão seria manter uma agenda diária ou um cronograma num lugar que pudesse ser visto pelo(s) seu(s) filho(s). É necessário que saibam que para tudo tem uma hora. As crianças precisam perceber que estar em casa não é sinônimo de férias. Além disso, é importante que essa agenda possua horários para as brincadeiras, seja com os irmãos, pais ou sozinhos.

Muitos lares não possuem um grande espaço para o corre-corre das crianças. Contudo, é possível pensar em brincadeiras que possam ser feitas e adaptadas para o tamanho da sua casa. Vale salientar que é de extrema importância saber dosar com a quantidade de tempo que os filhos passam ao celular com atividades ligadas ao físico.

Como brincar com seu filho na prática?

O boliche de garrafa pet é uma boa opção para distrair os filhos durante a quarentena. (Foto: Amanda Monteiro/acervo pessoal)

Uma ideia seria pesquisar na internet ideias de brincadeiras que possam ser desenvolvidas com os filhos. Amanda Monteiro de Lima, 25, advogada e mãe afirma que pesquisa ideias na internet e gosta de usar os materiais que possui em casa para brincar com o filho Heitor, de três anos. “Sempre fui de gostar de fazer as coisas, de colocar a mão na massa. Acho que quando a gente faz fica mais legal, mais divertido. Quando esse período começou, me pegou a gente de surpresa. Não tive como planejar, comprar e estocar coisas para distraí-lo. Ai fomos fazendo e adaptando brincadeiras com o que tinha em casa. Usamos papel ofício, tinta guache dentre outros materiais. Já fiz até um boliche com garrafa pet”, conta a advogada.

O pequeno Heitor, de três anos, e o seu mais novo amigo. (Foto: Amanda Monteiro/acervo pessoal)

Contudo, Amanda percebeu que só isso não era o suficiente. Era necessário que o seu pequeno gastasse energia. Posteriormente, pensou em criar um circuito com Heitor dentro de casa e conta que divertiram-se bastante. “Percebi que brincadeiras mais calmas não estavam sendo o suficiente. Ele precisava gastar energia, então, fiz um circuito. Ele subia no sofá, descia, passava por debaixo da cadeira, de baixo na mesa. E, para completar fiz um labirinto com papel higiênico. Vi essa dica na internet com um barbante, mas como não tinha utilizei papel higiênico. Deu super certo e ele adorou!”, relembra a mãe de Heitor.

Amanda teve a ideia de fazer um circuito para o seu filho e a ideia rendeu muita diversão e altas risadas. (Foto: Amanda Monteiro/acervo pessoal)

Por: Raianne Romão

Imagem em destaque: (Foto: Reprodução/Clube Auge)

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