Saiba como os estudantes dos ensinos público e privado estão lidando com a ansiedade na reta final do semestre letivo durante a quarentena

Não é novidade que a ansiedade é um dos problemas enfrentados por muitos durante a pandemia. Para os estudantes, há duas vertentes: os que estão no regime de aulas remotas [online], tendo que lidar com a ansiedade de prazos apertados e o encurtamento da carga horária do semestre, e há os os alunos de universidades públicas, que tiveram seu ano letivo interrompido e aulas suspensas. 



Leia mais: Dicas Lorena: lide com a ansiedade nessa quarentena

Além de lidar com todo o estresse de estar em casa, os estudantes também sofrem diariamente com a grande avalanche de notícias que a imprensa e as redes sociais divulgam sobre a pandemia. Como se isso não bastasse, ainda há a dificuldade de lidar com a distância de uma vida social e a transformação na sua rotina de estudos.

Estudantes de instituições privadas

No caso dos estudantes de instituições particulares, por todo o país, foi implementada a medida de aulas remotas com o auxílio de plataformas digitais, como o google classroom e meet. Algumas medidas foram tomadas de acordo com cada instituição. Um exemplo seria decretar algumas semanas férias durante a pandemia e começar as aulas online. Esse é o caso de Rianne de Almeida, 11. Aluna de colégio particular. Rianne conta que, apesar de precisar lidar com as aulas online, sente saudade das aulas presenciais e do ambiente escolar.

Encontre um ambiente confortável para assistir suas aulas. (Foto: Reprodução/Getty Images)


“Já tive as férias da metade do meio do ano adiantadas. Acho legal acordar e me arrumar para as aulas online, porque nem preciso sair de casa [risos]. Mas, prefiro estar dentro da escola, brincar com as minhas amigas e ver minhas professoras. Gosto de conversar com todos e tenho muita saudade”, conta a pré-adolescente.

Estudantes de instituições públicas

Já os graduandos do ensino superior público estão estudando por conta própria. Esse é o caso de Laryssa Monteiro, 19, graduanda de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Aluno tendo online em casa. (Foto: Reprodução/Agência Pará de Notícias)


“Uma boa parte da população estudantil começou o ano com expectativas. Os estudantes de instituições públicas [escolas e universidades] estão sem aula e sem nenhum acompanhamento e sem desenvolvimento. Pouquíssimos professores se importaram em mandar materiais de apoio. Ás vezes é muito triste pensar que um semestre de estudo foi por água a baixo. Continuamos com essa incerteza e creio que isso gere uma ansiedade. Não somente em mim, pois fico muito ansiosa, mas em muitos. Alguns dias me questiono: ‘meu Deus, quando vou voltar a estudar?’. Muitas vezes fico triste e desestimulada. Não tenho mais o mesmo pique e o mesmo incentivo”, desabafa a universitária. 

Como os estudantes podem lidar com essa ansiedade?

Para nortear os educadores na tarefa de auxiliar seus alunos durante a pandemia da Covid-19, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu dicas para reduzir a ansiedade dos mais jovens, com a consultoria de Lisa Damour, psicóloga norte-americana especializada em adolescentes e jovens.

1. Reconhecer que a ansiedade é real e normal

A ansiedade é um sentimento que não deve ser ignorado. (Foto: Reprodução/zenklub)


A primeira sugestão é reconhecer que a ansiedade é algo normal. Esse sentimento surgiu com a interrupção da rotina, como o fechamento de estabelecimentos, escolas e faculdades. Além da circulação das notícias sobre a pandemia. Sendo assim, é necessário lembrar que é normal lidar com esse sentimento e que não é errado sofrer.

2. Pensar em formas para se distrair e se desconectar após as aulas

Após as aulas, aproveite para se distrair. (Foto: Reprodução/freepik)


Criar formas de distrair-se e desconectar-se é a segunda sugestão. De acordo com Lisa, os estudantes precisam saber que “há coisas a respeito das quais se pode fazer algo, e outras sobre as quais não podemos”, explica a psicóloga. Por isso, é preciso criar alternativas para se “desligar”. Ler um livro, jogar videogame, dançar ou assistir filmes depois de uma aula remota são formas de se desconectar.

3. Não perder o contato com os amigos 

Não perca o contato com os seus amigos. (Foto: Reprodução/4gnews)


O terceiro conselho é estar perto dos amigos, mesmo de longe, mas com moderação. Crianças e adolescentes sofrem muito com o distanciamento [físico] dos amigos. Por isso, a Unicef recomenda que as conexões on-line sejam utilizadas com o intuito de manter esse vínculo.

4. Não tenha medo de expressar seus sentimentos

Por fim, é necessário expressar seus sentimentos, uma dificuldade para muitos. Apesar da ansiedade e do estresse, é preciso desabafar e falar sobre o que se sente para seus pais e, por vezes, educadores. A psicóloga chama atenção para a necessidade de mostrar aos jovens que a tristeza faz parte da vida, porém, é preciso contornar a situação da melhor maneira possível. Ademais, Lisa reforça que os pais e educadores precisam ser receptivos a escutá-los

Desabafe quando se sentir triste (Foto: Reprodução/ThinkStock/VEJA)


Muitos adolescentes e crianças vêm se sentindo extremamente decepcionados por perder as festas de aniversário, as brincadeiras no parquinho, o cinema ou as saídas com os amigos. Entretanto, muito deles têm dificuldade em abrir-se e falar de seus sentimentos com seus pais ou educadores. A psicóloga Damour reforça que deve-se explicar-lhes que estar triste faz parte do crescer e da vida. Além disso, é primordial mostrar-se totalmente receptivo a escutá-los.

Por: Raianne Romão

Imagem em destaque: (Reprodução/ Shutterstock)

 

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