Fake news ligadas a golpes virtuais disparam durante a pandemia

A pandemia do novo coronavírus contribuiu para multiplicar as tentativas de golpes virtuais. De maneira sórdida, as investidas usam e abusam, principalmente, da ingenuidade das pessoas menos favorecidas. Estratégias que envolvem a distribuição de alimentos estão entre as preferidas. Em tempos de coronavírus, é preciso ficar atento para não nos tornarmos vítimas das mil e uma armadilhas dispostas na nossa mira.



#FatoOuFake: Havan doa cestas básicas durante pandemia do novo coronavírus #MENTIRA

“INFORMAÇÃO IMPORTANTE! Já estão abertas em todo Brasil as inscrições para o Projeto Social Havan. 150 mil cestas básicas completas serão distribuídas gratuitamente para famílias afetadas pela pandemia do novo Corona Vírus! Mais de R$350 em produtos de primeira qualidade. Acesse o site oficial: https://havan.projeto-social.com” (sic)

Notícias desse tipo são corriqueiras, mas ainda fazem muitas vítimas. São traiçoeiras e correspondem a um ilícito que há tempos ronda internautas  nas redes sociais e no correio eletrônico. A tática é receita de bolo: um anúncio chamativo induz as pessoas a clicarem em um link que dá acesso a uma página fake. Nela são solicitadas informações pessoais do internauta que, ao fornecer, pode ter os seus dados roubados.

Golpe similar foi aplicado recentemente envolvendo a rede de supermercados Carrefour. Nós desmentimos a mensagem. Agora, a empresa citada é a Havan. De acordo com uma notícia que está circulando na internet, a rede varejista está doando cestas básicas de R$350 para ajudar famílias necessitadas durante a pandemia. Ainda segundo o anúncio, 150 mil cestas completas serão doadas em nome de um trabalho social encabeçado pela empresa, o “Projeto Social Havan”.

Leia mais: Videochamadas aproximam pacientes com coronavírus de entes queridos

Várias pessoas têm sido enganadas na esperança de se beneficiar com a generosidade alheia. Na primeira ocorrência, em vez de cestas básicas a publicação anunciava a doação de cupons em compras. Assim, só seria contemplado o usuário que entrasse no portal falso do Carrefour e preenchesse um cadastro. A mensagem sobre a Havan também incita o internauta a acessar determinado site e seguir o passo a passo delineado na plataforma. Analogamente ao caso Carrefour, a concessão do benefício está condicionada ao fornecimento de informações particulares. Isso, sem dúvida, compromete a segurança do usuário.


Havan nega estar doando cestas básicas. (Foto: Reprodução/Vero)


Compartilhamento

Outra característica comum às mensagens é que elas solicitam a divulgação da campanha no WhatsApp. Esse é outro condicionante para a conclusão do cadastro e aquisição da cesta básica. Vale lembrar que o anseio desenfreado pela viralização é atributo típico de fake news e que solicitações de compartilhamento podem ser indício de informação ilegítima. Portanto, é necessário moderação e sabedoria para lidar com mensagens desse tipo.

Finalmente, como costuma acontecer em casos de envolvimento em mensagens mentirosas, a loja varejista desmentiu o boato. A empresa alega não reconhecer ações não divulgadas nas redes sociais ou no seu sítio eletrônico oficial. A propósito, uma busca rápida na internet relacionando a Havan à doação de cestas básicas culmina em nenhuma informação. Com tantas evidências, está mais que provado: a notícia é falsa!

#FatoOuFake: Programa Prato Cheio, do Governo Federal, doa cestas básicas para famílias afetadas pela crise do coronavírus #MENTIRA

“* Programa Prato Cheio e Governo Federal* Cadastre-se e solicite agora mesmo sua Cesta Básica Gratuita! Acesse: [site]”

Os criminosos não desistem. Nova isca está circulando no WhatsApp induzindo o compartilhamento de informações pessoais. Dessa vez, um suposto programa do Governo Federal denominado Prato Cheio estaria doando cestas básicas para famílias em dificuldades. A mensagem incita o acesso a um site que rouba dados de quem faz o cadastro. Ao final do registro, o portal instiga o usuário a dividir a notícia com familiares e amigos na própria rede social. Por mais que ações sociais desse tipo sejam correntes na quarentena, o Governo Federal não mantém  programa com essa denominação.

No site é visualizada a seguinte mensagem: “INFORME SEU ESTADO Selecione um Estado INFORME SUA CIDADE Selecione uma Cidade SEU NOME COMPLETO em Abreviações CADASTRAR ©GOVERNO FEDERAL BENEFÍCIO DISPONÍVEL! Você tem direito a 01 Cesta Básica Mensal INSCRIÇÕES ATÉ 10/06/2020 SOLICITAR ENTREGA Para solicitar a entrega domiciliar de sua Cesta Básica Mensal, compartilhe agora esta informação com seus familiares e contatos no Whatsapp!SOLICITAR” (sic)


Programa Prato cheio não é Governo Federal e não distribui cestas básicas. (Foto: Reprodução/Pexels)


A mensagem segue o mesmo padrão de golpes que buscam lucrar com cliques ou adquirir acesso a informações pessoais do usuário. Em resumo, como explicado inúmeras vezes, primeiro uma manchete chamativa desperta o interesse da presa e lhe dá acesso a uma página falsa; nela são solicitadas informações do internauta. Por último, os fraudadores solicitam o compartilhamento da mensagem.

Nova narrativa

Da mesma maneira que outras mensagens do tipo, a notícia se apropria do nome de um programa existente e distorce ou cria nova narração. A propósito, o Programa Prato Cheio existe. Contudo, corresponde a uma ação do governo do Distrito Federal e não do Governo Federal. Seus beneficiários são famílias de baixa renda previamente cadastradas, que recebem um crédito em cartão para aquisição de itens da cesta de alimentos. As compras só podem ser realizadas em estabelecimentos credenciados.

Além disso, o pagamento é condicionado à confirmação de informações, mas a transação pode ser feita pela internet ou por telefone; o site disponibilizado distingue absolutamente do endereço mencionado na notícia. Por último, vale observar que como a abrangência do programa não é nacional, nem todas as pessoas teriam direito à cesta básica se a ação social fosse verdadeira. Concluindo, além de mentirosa, a notícia é recheada de falhas.

Programa Brasil sem Miséria

De maneira idêntica, outra notícia falsa enganou muita gente dizendo que o programa social Brasil sem Miséria, também do Governo Federal, estaria distribuindo cestas básicas durante a quarentena. A mensagem circulou com força no mês de maio e foi desmentida pelo Ministério da Cidadania. Ainda assim, muitas pessoas caíram no golpe que também pretendia roubar dados do usuário.

Como de praxe, a mensagem disponibilizava um link que dava acesso a um site falso para a realização de um cadastro. A fraude fez uso impróprio de um projeto criado com a finalidade de “superar a extrema pobreza no país” e, é provável, a boa reputação do Programa favoreceu a ação dos criminosos. O Plano Brasil sem Miséria foi instituído em 2011, no governo Dilma Rousseff, e embora sua marca seja a distribuição de renda, ele não tem conexão com a mensagem sobre cestas básicas. Uma busca rápida na rede relacionando o projeto social à distribuição de alimentos na pandemia prova a inconsistência da notícia. Em síntese, a mensagem é falsa.

Por: Gláucia Fernandes

(Foto Destaque: Coronavírus. Reprodução/Pixabay)

Related Article

0 Comentários

Deixe um comentário