A Dra. Mariana Rosario esclarece dúvidas sobre gravidez na pandemia e recomenda: “É preciso continuar com o isolamento social”

Nenhuma mulher imaginou precisar enfrentar, além das questões da gravidez, uma pandemia. Portanto, esse momento que é delicado e de muito cuidado, agora precisa de atenção redobrada. Então, para acalmar e tirar as dúvidas daqueles que estão esperando por bebês, conversamos com a ginecologista obstetra e mastologista, Dra. Mariana Rosario.



Nesse momento, as gestantes estão se preocupando principalmente com as chances de passar o vírus para seus bebês. Ainda não há nenhum estudo assertivo sobre o risco de contaminação pela gestação. Entretanto, a Dra. Mariana explicou que a única pesquisa com resultados mais claros. “Existe um único estudo italiano no qual foram entrevistadas 22 pacientes, 2 tiveram a presença do vírus na placenta. O bebê foi negativo”, explicou.

Aliás, as gestantes não têm maior chance de serem contaminadas. “A chance de pegar o vírus é igual para todo mundo. A diferença para as grávidas é que elas são grupo de risco. Então, podem ter um caso mais grave da doença”, disse.

Sendo assim, a Dra. Mariana adverte: “É preciso continuar com o isolamento social, pelo maior tempo que for possível”. Contudo, para aquelas que precisam sair a médica recomenda os cuidados que todos devem ter atualmente. “Sair sempre de máscara, evite chegar muito perto das pessoas. Assim que chegar em casa, tirar toda a roupa, de preferência perto da entrada ou na lavanderia e tomar banho direto. Se o marido trabalha fora, ele também deve fazer todo esse procedimento”. Para as mães que estão com bebês em casa “Lembrar de lavar as mãos sempre. Além disso, evitar o contato com visitas quando o bebê nasce”.

Leia mais: Gravidez durante a pandemia da COVID-19


A recomendação principal é que mães com bebes recém-nascidos e grávidas fiquem em casa. Foto: (Reprodução/ Aditya Romansa)


Pré-natal

Outra recomendação que está clara, é em relação ao pré-natal. Dessa forma, ele deve continuar mesmo se a gestante está contaminada com o novo coronavírus. Entretanto, é essencial que informem ao médico. “Obviamente elas têm que informar ao médico”“Nas pacientes que têm sintomas o preparo e a precaução devem ser mais intenso”, falou.

Parto

Com certeza a hora do parto é o momento mais esperado da gravidez. Contudo, para mães diagnosticadas com CODIV-19, alguns preparos vão mudar. A escolha da via de parto, ou seja, se será cesariana ou parto normal, é escolha do médico e da paciente. “Como até agora não temos como comprovar que o vírus passa pela placenta, não temos uma via de parto de preferência. A via de parto é decisão de mãe e médico”, explica a obstetra.


A escolha de via de parto deve ser feita pela mãe e médico. Foto: (Reprodução/ 🇸🇮 Janko Ferlič)


Entretanto, existem algumas mudanças que devem ser tomadas como precauções. “Nos partos de pacientes com COVID-19, as mães têm que permanecer de máscara o tempo todo. Entra o mínimo possível de pessoas. Então, não pode entrar fotográfo, doula, nada disso”, disse. Dessa forma, na hora do parto só é permitida a entrada das pessoas essenciais. O médico, a enfermeira, o pediatra, o anestesista e a paciente.

Ademais, a médica conta que o cordão umbilical é clampeado antes e que as o primeiro contato mãe e bebê é adiado: “Clampeamos o cordão umbilical antes para evitar a contaminação da mãe para o bebê. Além disso, o bebê não pode ir direto para o colo da mãe e ter aquele momento de toque porque a chance de passar para o bebê é grande”.

Amamentação

As pesquisas são muito recentes, então, não existe nenhum indício que o vírus passa pelo leite. Assim, de acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, a amamentação é recomendada mesmo para as pacientes que estão com a COVID-19.


A China foi o único país a não aconselhar a amamentação por mães diagnosticadas com COVID-19. (Foto: Reprodução/ Jan Kopřiva)


Nesses casos, a mãe deve estar utilizando máscara de proteção fácil e fazer toda a higienização antes de pegar o bebê. Para a ginecologista, a questão é mais complexa, por isso, deve ser discutida com o médico e, principalmente, com a família. “Mesmo a mãe usando máscara, tem chances de ela passar a doença para o bebê. Então, tem que ser bem discutido e avaliado com os membros da família e a equipe médica”, explicou.

A solução que a médica propõe é a retirada do leite no período de quarenta. “O que ela pode fazer é tirar o leite e alguém oferecer ao bebê enquanto ela está em quarentena. Depois ela volta a aumentar normal. Como ela vai ordenhar, a amamentação vai continuar já que vai estar estimulando a mama”, conclui.

Dra. Mariana Rosario

A Dra. Mariana Rosario se formou na pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), em 2006. Possui os títulos de especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia pela AMB – Associação Médica Brasileira, e estágio em Mastologia pelo IEO – Instituto Europeu de Oncologia, de Milão, Itália. Atualmente, é membro do corpo clínico do hospital Albert Einstein, um dos mais renomados do mundo.

Por: Isabella Vasconcelos

(Foto Destaque: Gravidez. Reprodução/ Ella Jardim)

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