Vivos ou mortos, nunca seremos números ” – Inumeráveis

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 13.140 novos infectados e mais 674 mortes por coronavírus hoje. Com isso, o país alcançou o terceiro lugar no ranking mundial de pessoas contaminadas pelo vírus. Dessa forma, como uma homenagem artística e poética a todas as vidas perdidas pelo coronavírus no Brasil, surgiu o projeto Inumeráveis



O projeto é um memorial artístico que reúne histórias de vidas que foram perdidas durante a pandemia. “Não há quem goste de ser número/Gente merece existir em prosa”, é o verso de abertura para o memorial no site. 

Memorial Inumeráveis

Tributo a Manuel de Jesus Miranda da Cruz. (Foto: Reprodução/Instagram)


Assim, o Inumeráveis foi uma obra idealizada pelo artista Edson Pavoni, que conta hoje com diversas colaborações. Também com um sistema voluntário de contribuição, pessoas podem enviar as histórias de parentes ou amigos que faleceram. Ademais, jornalistas, escritores e até estudantes podem participar do projeto, realizando entrevistas, editando textos e encontrando outras histórias.

Conforme tributo retirado do memorial, a história de Aflodísia que morreu com 90 anos com covid-19, está eternizada por meio das palavras de sua neta Aline Gasparini Sampaio. 

“Matriarca de uma família de mais de 50 pessoas, deixa muita saudade e lembranças de amor para suas filhas, netos e bisnetos.

Lutou por muitos anos sozinha (após o falecimento de seu esposo), atuando como professora para terminar de criar as oito filhas, hoje todas bem sucedidas e unidas, e ajudar outros tantos alunos a trilharem seus destinos com honra e boa educação.

Uma flor que hoje colore os jardins do céu, ao lado de Deus e ilumina com todo o amor que deixou nos corações de sua família e amigos.

Aflodísia nasceu em Espírito Santo e faleceu em Espírito Santo aos 90 anos vítima do coronavírus”

O memorial 

A ideia de criar o projeto surgiu com uma reflexão de Edson Pavoni sobre o tema principal de sua arte. Diante do cancelamento de dois memoriais que propõe a reflexão sobre a conexão e o toque em Lisboa e Tóquio, Edson quis se conectar com o que está acontecendo. Então, percebeu que a conexão estaria em contar histórias.

“Todo dia você acorda e quer saber o número do dia. O número de mortos daquele dia.Tem uma estatística, uma ciência que é importante, mas são pessoas que morreram. Tinham uma história e eram amadas”, disse Pavoni à Folha de S. Paulo.

Memorial Inumeráveis

Tributo a Francisco Fernandes Caminha. (Foto: Reprodução/Instagram)


 Por fim, o projeto já repercutiu nacionalmente e conta com mais de mil tributos às vidas perdidas. Assim, foram 600 emails em três dias, com mensagens de voluntários querendo participar. 

Uma das histórias contada pela jornalista voluntária Giovanna Madalosso foi a da jovem Ágatha Lima. O relato foi feito por meio de um entrevista realizada com a irmã e mãe de Ágatha.

“Viveu intensamente os seus 25 anos.

Além de, com muito amor, trabalhar no setor de regulação da UPA da Maré, Agatha, que também era médium, amava viagens, festas, fotografia e a vida. Ajudar os outros com responsabilidade para ela era imprescindível. Gostava de se sentir útil.

“Linda demais em todos os sentidos! Mamãe nunca vai te esquecer. Te amo muito! Não é um adeus, mas um até breve, pois acredito na imortalidade da alma e é isso que me conforta.” relata a mãe, Cátia Simone de Lima Passos.

Agatha nasceu em Rio de Janeiro (RJ) e faleceu em Rio de Janeiro (RJ) aos 25 anos vítima do coronavírus”

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Por: Ana Paula Moreira Oliveira 

Imagem em destaque: (Reprodução/Pinterest)

 

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