O protagonista de Coringa criticou a falta de atores e profissionais negros nas indicações ao Bafta

Neste domingo (02) ocorreu o Bafta, premiação do cinema britânico. Em discurso de vitória, Joaquin Phoenix criticou a cerimônia por falta de atores negros indicados.



Joaquim Phoenix vence Bafta – Foto reprodução: Google imagens


A princípio, o protagonista do longa Coringa, venceu a categoria de melhor ator no Bafta, premiação do cinema britânico. Entretanto, em seu discurso de agradecimento o ator expôs o incômodo de não haver atores e profissionais negros indicados nas categorias da cerimônia. Assim, o ator fez um discurso antirracista.


“Sinto-me muito honrado e privilegiado por estar aqui esta noite. Os Bafta sempre me apoiaram em minha careira, e estou profundamente agradecido. Mas, também devo dizer que me sinto em conflito, porque muitos dos meus colegas atores que também merecem (o bafta) não têm o mesmo privilégio que eu. Acho que lançamos uma mensagem muito clara às pessoas negras: de que vocês não são bem-vindos aqui. Essa é a mensagem que estamos enviando às pessoas que tanto contribuíram para o nosso meio e a nossa indústria, fazendo coisas das quais nos beneficiamos.”

“Acho que as pessoas só querem ser reconhecidas, apreciadas e respeitadas por seu trabalho. Isso não é uma condenação hipócrita, porque sinto vergonha de dizer que sou parte do problema. Não fiz tudo ao meu poder para assegurar que os sets de filmagem que trabalho são inclusivos, mas acho que isso é mais do que ter sets que são multi-culturais. Nós temos que fazer o trabalho de realmente entender o racismo sistêmico. Eu acho que é a obrigação das pessoas que criaram, perpetuam e se beneficiam de um sistema opressor de serem os que acabam com ele. Então, isso é por nossa conta. Obrigado.” concluiu Joaquim Phoenix

Leia mais: Confira a lista de indicação ao Oscar 2020

Desigualdade racial na indústria do cinema

Desta forma, a ausência de diversidade nos elencos e equipes de produções do cinema, continua sendo criticada. Por sua vez, a discussão de diversidade na indústria do cinema e audiovisual, tem ocorrido frequentemente. Anteriormente em 2016, o cineasta Spike Lee e o ator Will Smith fizeram um movimento de boicote a cerimônia do Oscar por não haver nenhum ator negro ou profissional técnico indicado as categorias da cerimônia.

Após a polêmica do “Oscar so white” (Oscar tão branco) como foi apelidado a cerimônia nas mídias sociais. Eventualmente, a academia de artes cinematográficas, tomou a iniciativa de modificar o comitê de cineastas. Assim, o comitê formado por (atores, diretores, produtores etc) buscou incluir mais negros, mulheres e cineastas estrangeiros.

Desse modo, na edição de 2017 do Oscar, houve 3 filmes protagonizados por atores negros (Moonlight, Uma estrela além do tempo e um limite entre nós). Após a confusão da entrega da estatueta de melhor filme, a priori a La La Land. O filme Moonlight de Barry Jenkins foi o vencedor da noite.

Entretanto, embora a presença de filmes com protagonistas e diretores negros ter tido aumentado. As categorias de melhor ator e direção continua sendo dominadas por homens brancos. Na edição do Oscar desse ano, Cynthia Erivo foi a única atriz negra indicada a melhor atriz pelo o drama histórico Harriet. Além disso, não há mulheres indicadas a categoria de melhor direção.

 

 

Por Jackson Brito

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