Nova decisão do TJ-RJ manda recolher as obras da Bienal que tratem de temática LGBT.

Na tarde hoje (7) o presidente do tribunal, desembargador Cláudio de Mello Tavares, assinou a decisão de recolhimento dos livros, voltados para o público jovem e infantil e que não estejam com embalagem lacrada e com advertência para o conteúdo. A decisão suspende a liminar obtida pela organização da Bienal 2019, nesta sexta-feira (6), que impedia as autoridades de buscarem e apreenderem obras em função de seu conteúdo.



No texto, o desembargador “ressalta não se tratar de ato de censura, mas reputa ser inadequado que uma obra de super-herói, atrativa ao público infanto-juvenil, a que se destina, apresente e ilustre o tema da homossexualidade a adolescentes e crianças, sem que os pais sejam devidamente alertados […]”.

A feira de livros está sendo alvo de atenção desde quinta-feira (5), quando o prefeito carioca Marcelo Crivella publicou um vídeo em suas redes sociais. No vídeo, ele divulga uma determinação de que a Bienal deveria recolher todos os exemplares da HQ “Vingadores: A Cruzada das Crianças” por ter “conteúdo sexual para menores de idade”, que tem a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos.

Os livros eram vendidos lacrados, e a capa não tem nenhuma imagem de conteúdo erótico. De acordo com a classificação indicativa da Marvel nos Estados Unidos, a HQ só pode ser lida a partir dos 13 anos.

Capa do livro. (Foto: Divulgação)


“Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”, escreveu o prefeito em sua rede social no Twitter.

Após as críticas do prefeito, as vendas do quadrinho dispararam e seus exemplares se esgotaram em menos de 40 minutos.

Livros estavam lacrados, segundo a Bienal

A Bienal informou que os exemplares da obra já estavam lacrados. Assim como todos os livros de edição especial que vêm embalados em plástico transparente. Eles não ficam abertos para que o público possa “folhear”.

Por Julia Moura

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