Zack Snyder tornou-se assunto de pauta nessa semana ao anunciar o lançamento do SnyderCut

O cinema de Snyder estreia nesse universo lançando seu terror Madrugada dos Mortos em 2004. Co-Fundador da Cruel Unusual Films, uma produtora americana fundada em 2004 junto com Deborah Snyder, sua esposa e o amigo Wesley Coller. Seu primeiro longa foi roteirizado pelo aclamado James Gunn. Nele, Snyder já introduz sua marca que o fez ser conhecido no universo do cinema. Ele gosta de ambientes hostis, sombrios, com pouca iluminação. É conhecido também por ser um diretor que grava muito, mas muito além do que “considera necessário.



Ademais, com uma filmografia ainda pequena, Snyder, em menos de duas décadas reúne um público que divergem, e muito, de opiniões. Mesmo seu primeiro longa ter retornado com um sucesso de bilheteria, parecia que o terror não era seu gênero identitário. Três anos depois ele apresenta 300. Um filme de guerra norte-americano entre os soldados de Esparta. Talvez, aqui conseguimos descobrir qual é o futuro de Snyder no cinema. O longa com Rodrigo Santoro no papel do rei Xerxes I é uma adaptação de HQ. E, todavia, é esse tipo de filme que o aclama como um diretor de renome.

Leia mais: Batman vs Superman: Zack Snyder fala do fracasso de Lex Luthor e do momento “Martha” – II

Cineasta Zack Snyder iniciou no cinema como diretor em 2004. (Foto: Reprodução/ Twitter @ZackSnyder)


Zack Snyder e suas adaptações no cinema

Sem dúvidas, precisamos iniciar com 300. Uma HQ de 1988 produzida por  Frank Miller e Lynn Varley. A HQ reconta, de maneira fictícia, a batalha dos espartanos em 480 a.C. Esse episódio ficou conhecido como a Segunda Guerra Médica que durou três dias. Talvez elencamos aqui uma das primeiras influências snyderiano para o cinema. O longa revoluciona o estilo épico nas grandes telas.

A saber, até hoje 300 de 2006 é aclamado como uma das melhores produções do diretor. Ele faz uma releitura estilística do pioneiro de 2004 e consegue encabeçar um novo caminho no cinema. Snyder sabe fazer cinema! E sabe trabalhar com adaptações. Claro, há um toque de maestria e sucesso do próprio Miller e isso conseguimos identificar em Sin City: Cidade do Pecado (2006) também escrita por ele.

Com certeza o ditado “uma coisa puxa a outra” não nos é desconhecida. Decerto, ela também se encaixa aqui: Miller se convenceu de que 300 poderia ir pras telonas ao assistir o que Snyder fez com o remake de 2004. Afinal, uma batalha sanguinária com os espartanos não era uma coisa agradável de se assistir, mas, nas mãos de Snyder, Miller não tinha dúvidas de que seria muito possível.

Todavia, a produção se resume a uma perfeita ode ao heroísmo e ao sacrifício. Os cortes snyderianos fizeram toda a diferença ao entregar para o público uma HQ carregada de ação, guerra e cenas banhadas em sangue. A HQ de Miller foi elogiada e com louvor pela adaptação de Snyder. Na tela vemos como que o detalhe da câmera com os personagens é importante para Snyder: veias, bíceps, marcas de ferimentos, olhos, tudo isso vai nos ajudar a entender o porquê da recente aclamação ao SnyderCut.

Filme “300”. (Foto: Reprodução/Warner Bros Pictures)


Do repentino terror ao sucesso das HQs

Nascido em 1996 em Green Bay, Wisconsin, Snyder é reconhecido pelos trabalhos baseados em HQs. Ele começa a ganhar espaço quando começa, em 2009 a trabalhar com as HQs dos super-heróis. Watchmen, escrita por Alan Moore ganhou sua adaptação snyderiana em 2009. Produzida pela DC Comics em 1986, a história de um super-herói que enfrenta problemas éticos e psicológicos revoluciona o universo das HQs. Óbvio que tal empreitada teria despertado o interesse de Snyder.

A saber, mesmo adaptando um trabalho da DC, Snyder ainda não havia iniciado uma ideia de Universo DC Estendido. Watchmen mais uma vez serviu de trampolim para chegar ao que temos construído hoje. Snyder tinha a difícil missão de levar para o cinema uma filosofia de vida que muitos fãs liam nos gibis. A história que revolucionou o universo dos quadrinhos teria um grande peso em revolucionar também o cinema. A adaptação de Snyder valorizou, com muita lealdade o original. Essa era uma adaptação que ficou sendo cogitada por mais de 20 anos. Quando Zack Snyder resolve abraçar a empreitada, uma chama de esperança havia reacendido.

Por fim, recebemos como resultado algo que ficou difícil de se digerir de uma só vez. Com a mesma profundidade que as HQs de Watchmen aborda assuntos e diálogos complexos, Snyder transporta esse clima tenso para as telonas. Uma magnitude nos quadrinhos de um lado e uma obra de arte complexa de outro.

Além disso, Watchmen não é aquele tipo de história de super-herói onde o foco é um mundo correndo perigo de destruição e a difícil decisão entre o sacrifício e a mocinha apaixonada. Não. É uma história de embates filosóficos, éticos, humanos, sociais, morais, sociológicos, antropológicos… É sobre tudo o que depõe contra a vida humana e põe em risco a integridade do ser.

“Watchman”. (Foto: Reprodução/Paramount Pictures)


O Universo Estendido da DC

Então, chegamos ao UEDC. O Universo Estendido da DC começou a ser uma realidade próspera e possível. E aqui temos uma outra influência do cinema snyderiano: Snyder recria com obsessão cenas e sentimentos antes que eles sejam vistos nas telonas. Sua obsessão é o que eleva a sua coragem em assumir e filmar o que nunca deveria ser filmado.

Portanto, em 2013 o Universo da DC inaugura seu projeto grandioso. O poderoso e invencível Homem de Aço é apresentado agora na visão de Zack Snyder. O Homem de Aço abre essa nova porta e apresenta, na pele de Henry Cavill aquele jornalista tímido, de óculos e morador de um apartamento humilde, Clark Kent. Agora, começa-nos a surgir as preocupações: o ambiente sombrio, com uma paleta de cores mais reduzida, clima hostil funcionou com o herói de 2009. Mas e com o Superman? Será que daria certo? Snyder, mais uma vez, não se limitando a qualquer falta de coragem, assumiu com disposição e grandes ideias a empreitada de abrir, nos cinemas o UEDC.

Aliás, o primeiro herói da Liga veio com O Homem de Aço (2013). Depois Batman vs Superman: a Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça (2017). Na cronologia, antes de tudo, no UEDC teríamo Mulher Maravilha (2017), com Patty Jenkins como diretora. Após a Liga viria Aquaman (2018), dirigido por James Wan. Mas, as coisas não seguiram os planos iniciais.

Ben Affleck como Batman em “Batman vs Superman”. (Foto: Reprodução/ DC Comics/ Warner Bros)


Depois do Superman, o caminho foi interrompido

Contudo, o próprio Superman nos apresenta uma trajetória difícil nos cinemas. Caberia a Snyder tentar corrigir uma avalanche de decepções e erros. O primeiro saldo positivo foi com a escolha de Cavill para viver o homem de Kripton. A aceitação pelo público foi unânime. Outro ponto a favor foi com os trajes do herói. Não era hora de recuperar o clássico das HQs. O novo uniforme foi essencial para recuperar a estima dos fãs do Homem de Aço.

Dessa vez, Snyder está ao lado de Christopher Nolan na produção. E, talvez, Nolan soube “frear” o estilo snyderiano, já que temos aqui um passado decepcionante com o último longa em que Snyder mergulhou em seu estilo. O Sucker Punch – Mundo Surreal de 2011 de certa forma “assustou” ao entregar de páginas abertas tudo o que Snyder pensa sobre cinema.

Afinal, o sucesso de Nolan e Snyder entregou ao público não um homem como superpoderoso e invencível, mas trouxe um Superman humano, frágil, preocupado com o ser humano e capaz de sentir a dor, inclusive a dor do luto ao perder o pai. Isso arrebanhou o público que fez aplaudir o resultado final nas telonas.

Enfim, chega-nos o longa de 2016. Uma baita surpresa: Cavill contracena com Ben Affleck, o Homem Morcego. Nas palavras de Lex Luthor, o “todo-poderoso de Kripton enfrenta o Morcego de Gothan. Deus vs o homem. E, se deus não é capaz de vencer o homem, talvez o diabo seja”. E o caminho seguiu por outros rumos…

Gal Gadot (Diana Prince/Mulher Maravilha); Ray Fisher (Victor Stone/Cyborg); Ben Affleck (Bruce Wayne/Batman); Jason Momoa (Artur Cury/Aquaman); Erza Miller (Grant Gustin/Flash). “Liga da Justiça”. Poster Oficial. (Foto: Reprodução/DC Comics/Warner Bros)


O SnyderCut, a Liga da Justiça e o futuro do cinema snyderiano

No entanto, é muita pretensão afirmar que o cinema snyderiano não tenha um futuro próspero. Vemos nos trabalhos de Snyder que sua peculiaridade faz a diferença. Reunir duas forças imbatíveis num longa escuro, sem cores, não era o que o público esperava. O azul e vermelho do Superman, o dourado da Mulher Maravilha. E, aliado ao humor de Clark aliado à paixão e sorriso de Lois Lane ainda é o que o público quer ver.

Por fim, O SnyderCut parece inaugurar no cinema uma nova categoria. Por conta de seu estilo mais integral e personalizado, suas adaptações parecem tomar outro rumo. Não sabemos sobre os próximos passos de Snyder, ou, se investirá no SnyderCut e fazer dele uma categoria. Sabemos que, definitivamente agora veremos Henry Cavill com o uniforme preto e sombrio do Superman.

Liga da Justiça SnyderCut. Poster oficial de divulgação do lançamento. (Foto: Reprodução/Twitter/@ZackSnyder)


Portanto, SnyderCut da Liga da Justiça estreará em 2021 inaugurando o lançamento do streaming da HBO Max. Vamos ver o que Snyder produziu com todo esse elenco.

 

Por: Dione Afonso

Imagem destaque: Cineasta Zack Snyder no set de gravações de Liga da Justiça. (Foto: Reprodução/Twitter/@ZackSnyder)

Related Article

0 Comentários

Deixe um comentário