Jornalista e escritora expõe sua opinião sobre a famosa premiação.

Noite de Oscar é noite de expectativas! No último domingo (24), aconteceu simplesmente a premiação mais importante do cinema mundial e para que você jamais esqueça deste momento, convidamos uma pessoa muito especial para falar um pouco mais sobre esse assunto tão luxuoso e talentoso.



Conheçam a Sofia ou Sophie! Uma jornalista e escritora que abriu o jogo para gente e contou sua opinião sobre o resultado das premiações. Inclusive, ela tem um blog maravilhoso que fala sobre literatura e filmes, recomendo você dar já uma olhada, só clicar aqui. Bom, voltamos ao foco: Oscar 2019!

Leia mais: Após sétima derrota no Oscar, Glenn Close desabafa: “Me sinto realizada e isso que importa”

Então peguem suas respectivas pipocas com manteiga e se deliciem com o artigo produzido por Sophie:

Apesar de a indústria cinematográfica americana ter perdido muito do seu prestígio após os diversos escândalos sexuais denunciados pelo movimento #MeToo (#EuTambém em português), isso não foi o suficiente para colocar o Oscar de lado: sejam por aqueles que almejam uma estatueta dourada, cinéfilos ou para o público em geral.

Domingo, dia 24/02, aconteceu a cerimônia mais atípica dos últimos 30 anos: não houve apresentador após o encarregado da cerimônia, Kevin Hart, ter decidido não participar depois que alguns dos seus comentários homofóbicos antigos foram trazidos à tona. A cerimônia foi considerada a mais curta dos últimos 5 anos com um pouco mais de 3h e foi impossível não se encantar por discursos como o do Guillermo del Toro (vencedor de duas estatuetas em 2018 por Melhor Diretor e Melhor Filme) dizendo que independente de quem ganhasse aquele prêmio, todos os filmes sairiam da mesma maneira que entraram naquela sala. Em uma cultura em que só se celebra as vitórias, é importante ressaltar que nem só delas que a vida é feita. Outro momento que aqueceu os corações de quem assistia a premiação a foi a comemoração entre Samuel L Jackson e Spike Lee que finalmente ganhou, de maneira extremamente merecida, o Oscar por Melhor Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan. No seu discurso de agradecimento, Lee falou sobre a escravidão e as cicatrizes proeminentes na sociedade até hoje, além de cutucar de maneira o presidente dos Estados Unidos quando diz que no próximo ano tem eleições presidenciais e que as pessoas devem ficar do lado certo da história. Donald Trump entendeu o recado e usando o seu twitter acusou o diretor de racismo dizendo que ele fez mais pelos negros do que qualquer outro presidente.

Lady Gaca e Bradley Cooper emocionam o mundo ao cantarem ‘Shallow’ (Foto: Reprodução/Instagram)


Com dois filmes predominantemente musicais, Nasce Uma Estrela e Bohemian Rhapsody, concorrendo a categoria de Melhor Filme, não é de surpreender que a musicalidade falou alto nessa cerimônia. Logo na abertura, teve uma performance emocionante do Queen que mostrou porque, depois de tantos anos, eles continuam sendo a realeza da música. Um momento que emocionou foi quando Lady Gaga e Bradley Cooper cantaram ‘Shallow’, música que viria a levar o Oscar de Melhor Música Original após uma campanha inesgotável por parte da Gaga, mas que não foi o suficiente para garantir o Oscar de Melhor Atriz que foi a categoria mais surpreendente da noite. Outro ponto alto foi quando na entrada dos apresentadores de algumas categorias tocaram a versão instrumental de “You Can’t Stop the Beat” do musical Hairspray e “America” de West Side Story que são musicais que tratam da questão de integração racial e da marginalização dos latinos, respectivamente.

Após ganhar o Globo de Ouro e o BAFTA, todos esperavam que Glenn Close finalmente ganharia seu Oscar, mas quem levou foi Olivia Colman. Uma atriz britânica predominante de televisão que praticamente não fez campanha para o Oscar e nem foi ao SAG e diversos outros prêmios importantes por estar se dedicando exclusivamente as gravações da série da The Crown onde interpretará outra rainha ganhou. Como isso foi acontecer? Seria fácil afirmar que a Academia mudou seus critérios, mas a verdade é que vários outros prêmios foram distribuídos ao longo da noite em cima das suas campanhas. Se A Favorita não tivesse ganhado nessa categoria, teria perdido em todas as categorias indicadas e há a remota possibilidade de não quererem manchar o filme desse jeito. Outra hipótese bastante comentada na internet é que um dos votantes é amigo pessoal de Colman e decidiu se empenhar em fazê-la ganhar. Independente do motivo que levou a darem o prêmio para esta, o que fica mesmo é a curiosidade em saber o que impede a Academia a dar um Oscar para Close: esta é a sétima indicação dela sem vitória, um dos mais tristes recordes para se deter.

No restante das premiações para atores não houveram grandes surpresas: Mahershala Ali como Melhor Ator Coadjuvante por Green Book, Regina King por Se A Rua Beale Falasse e Rami Malek pela imitação do cantor Fredie Mercury no filme Bohemian Rhapsody. Apesar de ser uma grande vitória para a diversidade uma vez que Malek é filho de egípcios e isso nunca havia acontecido antes, sua atuação como um dos maiores nomes da música não deveria nem ter sido indicada.

Todos os olhos estavam voltados para Roma: o filme preto e branco, falado em uma língua não inglesa, dirigido por um mexicano que trás como protagonista uma indígena contando a história de uma empregada doméstica e que foi lançado diretamente na Netflix e mesmo assim foi indicado a 10 prêmios vencendo 3 deles sendo eles: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor para Alfonso Cuarón que recebeu o prêmio das mão do amigo Del Toro o que rendeu um abraço apertado de quem entende todas dificuldades que foi chegar até lá, especialmente sendo mexicano. Nos últimos 6 anos, os mexicanos vêm dominando a categoria de Melhor Diretor: de seis estatuetas, cinco foram entregues aos que nasceram do lado de lá da fronteira. Em uma época em que o presidente dos Estados Unidos continua levando a sério a proposta leviana de construir um muro na fronteira, é muito importante que a Academia com seu poder e influência seja uma forte oposição quanto ao crescimento da marginalização que os latinos sofrem no país do Tio Sam.

Rami Malek. Olivia Colman, Regina King e Mahershala Ali (Foto: Reprodução/Instagram)


Mas a diversidade desta edição do Oscar felizmente não ocorreu apenas com os latinos e se estendeu aos negros que fizeram barulho em 2016 com o movimento Oscar Is So White (Oscar é tão branco, em tradução livre) e parece que finalmente a representatividade está começando a acontecer: nos primeiros 40 minutos 2 mulheres negras ganharam prêmios por Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte no filme Pantera Negra – que teve indicação histórica de Melhor Filme. Esta foi a primeira vez que um filme da Marvel foi indicado a categoria.

Todavia, apesar de dois filmes com destaque a negros estarem concorrendo ao Oscar mais importante da noite (Infiltrado na Klan e Pantera Negra) e demais marcos históricos da cerimônia com questões raciais, não foi o suficiente para que a Academia fizesse escolhas mais ousadas: Green Book ganhou o prêmio de Melhor Filme. A história medíocre de um homem branco que se torna motorista de um pianista negro nos anos 1960 foi considerada a melhor história contada no cinema no ano passado. A questão é, em meio a tantos filmes que abordavam a questão de racismo do ponto de vista de quem a sofre, porque premiar justamente aquele que fala do preconceito com negros sob o olhar de quem nunca sofreu com isso? Ao escolher um filme assim a Academia só mostrou que não está pronta para lidar com a diversidade de verdade e que ela ainda se assusta com isso. Poderia ter sido uma cerimônia histórica se o maior prêmio da noite tivesse sido dado a Roma, por exemplo. Ou ainda mais ousado seria a escolha de Pantera Negra, uma vez que os filmes de super-heróis costumam ser mal-vistos pelos mais conservadores. Essa escolha pontuou a cerimônia como quem dissesse “Eu vou fazer um pouco do que vocês querem para que me deixem em paz, mas eu não mudei tanto assim”.

A escolha de Melhor Filme é indignante, todavia não devemos ignorar todas as coisas boas que aconteceram na noite de domingo. Mostra que devemos seguir em frente no que acreditamos e não desistir, como pontuou Lady Gaga no seu discurso de agradecimento. Este está longe de ser a melhor cerimônia, com os melhores indicados, mas em uma época de tantas tensões é bom poder ter uns filminhos para nos distrairmos.

Veja: Eddie Murphy recusa convite de apresentar a cerimônia do Oscar 2019

Gostaram? Porque a gente amou!  E se você quer mais, então confira o vídeo que a jornalista fez sobre sua expectativa para a grande premiação:


(Por Gabriela Bulhões)

Related Article

0 Comentários

Deixe um comentário