Funcionários e modelos estão relatando racismo dentro da moda. As principais denúncias envolvem Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço

Depois do assassinato de George Floyd em maio, nos Estados Unidos pela violência policial contra negros, muitas marcas pronunciaram publicamente contra o racismo. No mundo da moda, isso não foi diferente. Contudo, o movimento ganhou mais força quando modelos e ex-funcionários começaram a expor o racismo que viram ou sofreram dentro do mundo fashion. Dessa forma, exigindo das marcas são só falas, como também atitudes não racistas.



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Casos de racismo no mundo da moda não são recentes. Em 2009, o Ministério Publico precisou fazer um acordo com a São Paulo Fashion Week para que hajam modelos negras nas passarelas. Então, depois disso, ficou firmado que 10% das modelos deveriam ser negras.

Foi a modelo Thayná Santos que deu início a exposição nas redes sociais. Assim, há uma semana Thayná reuniu e seu Instagram diversos relatos, alguns anônimos, de mulheres negras que trabalham com moda sobre o racismo no meio. Está tudo nos destaques do perfil da modelo. Dessa forma, muitas modelos começaram a dar nomes aos racistas e a relatar os acontecimentos. As mulheres relataram humilhação por conta de seu cabelo ou cor de pele.

Depois disso, o Instagram “Moda Racista” começou a reunir todos as relatos e denúncias. Abrindo espaço, também, para denúncias de homofobia e xenofobia.

Os nomes mais citados nos relatos foram os de Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho.

Reinaldo Lourenço


Reinaldo Lourenço no SPFW de 2014. (Foto: Reprodução/ Fernanda Calfat/ Getty Images)


Reinaldo Lourenço é um estilista muito bem conceituado na moda brasileira. Então, o Instagram Moda Racista está reunindo várias denúncias contra o estilista. Em um relato ao Moda Racista, uma ex-funcionária disse que via muita humilhação por parte do estilista. “Já vi ele jogar coisas nos outros, xingar, humilhar todo mundo que ele considerava inferior. Quando ele entrava na sala, por exemplo, você não podia sentar nunca, era uma regra”, ela relatou.

Outro funcionário contou a página mais detalhes do comportamento de Reinaldo. “Em todos os casting se não fossem meninas brancas e com cara de criança, ele nem olhava”. Ele continua, “Uma vez tomei um belisco porque levei na sala dele uma menina de cabelos longos e crespos”, “Ele fazia eu pedir para as agências não mandarem meninas que não fossem com cara de européias”.

A revista VEJA entrou em contato com Reinaldo e obteve a seguinte resposta: “Eu errei. Tenho consciência de que me faltou empatia e compreensão em relação às modelos negras e aos outros profissionais de moda. Desculpem-me. As recentes críticas e observações de quem se sentiu constrangido em algum casting, backstage ou desfile suscitaram autorreflexão. Eu vou mudar, assim como o sistema da moda será obrigado a mudar também. Comprometo-me a promover inclusão efetiva, com mais modelos negras na passarela e nas campanhas. Quero contribuir para que as mulheres negras também sejam respeitadas como consumidoras da moda nacional. Não medirei esforços a fim de ampliar a representatividade e valorizar a diversidade racial brasileira por meio da minha marca. relação às modelos negras e aos outros profissionais de moda. Desculpem-me.”

Gloria Coelho


Gloria Coelho. (Foto: Reprodução/ Facebook)


Gloria Coelho é ex-esposa de Reinaldo e também foi denunciada por suas atitudes racistas. No Instagram da modelo Thayná, relataram anonimamente “Gloria sempre foi extremamente preconceituosa e não aceitava nem [modelos] morenas, tinham que ser brancas. Quando morava na casa de modelos em época de semana de moda, eles nem mandavam as mais escuras para o casting dela, porque todos já sabiam que ela não queria no casting”.

Por DM, Glória entrou em contato com Thayná. “Sinto muitíssimo que você ou qualquer outra menina tenha se sentido desprivilegiada ou sem acesso às mesmas oportunidades dentro da minha marca e do sistema de moda. Reconheço que por muitos séculos a moda privilegia padrões de beleza eurocentristas, e que eu ou pessoas sa minha equipe no passado possamos ter compactuado com isso, ou sido interpretados dessa forma. EStou aqui me comprometendo a ser melhor, a garantir que minha equipe seja melhor. Está nas nossas mãos desmantelar o racismo sistêmico. Eu tenho genuína e profunda admiração pela beleza, criatividade e ancestralidade preta e indígena”.

Por: Isabella Vasconcelos

(Foto Destaque: Reinaldo Lourenço no SPFW de 2014. Foto: Reprodução/ Fernanda Calfat/ Getty Images)

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