A sétima arte não é tão criativa quando se faz parecer, está estagnada

Nunca houve tanto esmero, em nível de produção, em um filme quanto há hoje. Em 1963, “Cleopatra” teve um financiamento que faz inveja ainda hoje.



No total uma quantia equivalente a US$ 330 milhões hoje foi usada, a produção foi e continua sendo uma das mais caras já produzidas na historia.

Apesar de ter sido a causa de uma quase falência do estúdio Fox, inaugurou o movimento das super produções, com verbas estratosféricas.

Considerado o maior fracasso da historia do cinema, Cleopatra quase faliuos estúdios Fox

Reprodução/ Agência EFE Considerado o maior fracasso da historia do cinema, Cleopatra quase faliu os estúdios Fox

Outras mais recentes, como Waterworld (1995), com US$ 270 milhões, ou até uma produção recente como o “Vingadores: Ultimato”, que custou quase US$ 400 milhões.

Atualmente já não é mais incomum ver montantes de dólares, acima da casa do milhão, serem gastos com filmes. Mais do que filmes, estes valores são colocadas ainda em ideias em um papel, na imaginação do roteirista. Hoje, as chamamos de “Blockbusters”.

Blockbusters são filmes com uma promessa de serem sucesso de bilheteria, sucesso de público em seu lançamento. Alguns exemplos são os filmes da série Transformers, velozes e furiosos, e mais presente, a febre dos filmes de heróis.

Entretanto, não existe Blockbuster sem razão. Porque tanto dinheiro gasto em um esboço escrito no papel? Você pergunta.

Pois, a resposta, por mais óbvio que pareça, é o público, as pessoas. Apesar deste ser somente um de vários pontos que formam um Blockbuster, o espectador é a chave mestra.

O estúdio faz uma análise do cenário atual do cinema, bilheteria, redes sociais, opinião do público, antes de tirar sua obra do papel.

É normal gostarmos de coisas a qual já nos acostumamos, então, se baseando em filmes que fizeram sucesso popular, produtores liberam dinheiro necessário para fazer uma versão melhor do que o anterior.

Todavia, esse “melhor” não quer dizer diferente. E é nesta situação que começa a temporada de filmes que mais parecem cópias um dos outros.

O básico enjoativo

Existem certos contos e historias que moldaram o cinema que conhecemos.

Em filmes de drama ou romance, o conceito de Romeu e Julieta é base para vários filmes. Sempre a moça, ou cavalheiro, que encontra algum tipo de problema que necessita resolver para ficar com seu amado(a).

Nos longas de ação, reina o conto clássico da jornada do herói, onde uma pessoa deve passar por várias provações, considerada a aventura, e no final se tornar o herói da historia, salvando o dia.

No livro “A linguagem secreta do cinema” o roteirista, escritor e diretor francês Jean-Claude Carrière fala sobre os estereótipos que o cinema criou na sociedade.

Dogmas que ele absorveu em análise de público nos primeiros cem anos de vida da indústria cinematográfica.

Ele conta que o nosso tempo criou uma linguagem que já foi tão usada, tão abusada, que penetrou em nosso cerne a ponto de não a percebermos mais como algo especial.

Essa linguagem é como se fosse o feijão com arroz de todo brasileiro, está diariamente à mesa, mas é tão comum que esquecemos que nos viciamos nele.

Carrière disse “As sequências cinematográficas que nos envolvem e nos inundam hoje em dia são tão numerosas e interligadas que se poderia dizer que elas constituem o que Milan Kundera(escritor checo-francês) chama de “rio semântico””.

“Nele, nós e nossos pares nadamos sem esforço, encorajados por correntes familiares.” Afirmou Carrière.

Essa repetição compulsiva não se limita ao tema ou roteiro de um filme.

A montagem, edição, escolha de elenco, fotografia e trilha sonora fazem parte dessa regra que dita o dia a dia do mundo das telonas. Enquadramentos de cenas de perseguição possuem um padrão afirmado.

Outras como as que insinuam atos sexuais, em filmes para menores, seguem quase que um guia de posicionamento e movimento de câmera para não mostrar explicitamente o ato e ainda manter sentimento erótico.

Mas, como dito anteriormente, essas regras só existem por que as pessoas gostam e se acostumaram com o conteúdo resultado delas.

O cinema, mais do que qualquer outra indústria, se mantém em um único caminho, sem inovação profunda, por livre e despercebida vontade de seu público.

Ele entrega só o que lhe rende soldo, o que faz as massas desejarem fornecer este soldo.

Fazer arte já não é mais prioridade, a evolução de maneiras para se contar uma história, ou as histórias em si, não está na primeira página da lista de obrigações.

Essa necessidade de agradar é o que dilacera a criatividade, mantém o tempo parado e perde oportunidades.

Então, em uma indústria que presa pela cultura e sua disseminação não pode se manter congelada em séculos que não voltam, pois assim os que estão por vir não chegarão. O novo e inusitado nunca tocará nossos olhos.

Mas o centro dessa discussão é o espectador, que se deixa levar pela indústria, que por sua vez, se deixa levar pelo espectador.

Então, deixo uma única pergunta a você, leitor. Em time que está ganhando, realmente não se mexe?

Por Gabriel Santos

Foto Destaque: Wallpapercave

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