O acordo permitirá ao estúdio lançar filmes digitalmente dias depois da estreia nos cinemas

Após anunciar que não exibiria mais filmes da Universal Pictures, a AMC , maior rede de cinemas dos EUA com mais de 8.000 salas, chegou a um acordo com o estúdio e voltará a permitir os longas em suas salas no país. As partes concordaram em reduzir o tempo em que um filme ficará exclusivamente em cartaz. Como resultado o selo poderá levar seus títulos para plataformas on demand pagas a partir de 17 dias após a estreia.



O acordo põe fim à uma extensa janela de lançamento em home video. A política anterior impunha um limite mínimo de três meses entre os lançamentos nos cinemas e em DVD, Blu-Ray, ou qualquer outra plataforma.

Não foram dados detalhes do acordo, mas a AMC, deverá receber parte dos ganhos, da cerca de 10% dos lucros das vendas on demand de longas da Universal. Por enquanto, o contrato vale apenas para o território norte-americano. Contudo as empresas já estejam acertando detalhes para exibição na Europa e Ásia. Já no Brasil, a rede de cinemas não atua.


(Cartaz da Universal Studios. Foto/ Divulgação: Revista ISTOÉ)


A experiência teatral continua sendo o coração do nosso negócio”, informou em um comunicado Donna Langley, diretora da empresa Universal Filmed Entertainment Group.

A associação forjada com a AMC é impulsionada por nosso desejo mútuo de assegurar um futuro próspero para o ecossistema de distribuição de filmes e satisfazer a demanda dos consumidores”, acrescentou.

Da mesma forma, declarou o diretor-executivo da AMC, Adam Aron. “A AMC abraça com entusiasmo este novo modelo de indústria. Tanto porque estamos participando da totalidade da economia da nova estrutura, quanto porque o vídeo ‘à la carte’ cria o potencial agregado que deve aumentar a rentabilidade dos estúdios cinematográficos. E isso por sua vez deveria levar à produção de mais filmes”, disse o diretor.

Universal vs AMC

O acordo vem depois de um mal-estar entre AMC e Universal, que começou em abril, após o estúdio lançar, digitalmente, a animação Trolls 2 no mesmo dia em que o filme chegou aos poucos cinemas abertos dos Estados Unidos. Como resultado da pandemia do novo coronavírus, que levou ao fechamento de salas e paralisou produções.

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A decisão tinha sido tomada após o sucesso de Trolls 2, que arrecadou US$ 100 milhões em aluguéis digitais e teve performance superior ao primeiro Trolls. A nova política de distribuição havia sido anunciada pelo CEO da NBCUniversal, Jeff Shell, ao Wall Street Journal: “Quando os cinemas reabrirem, nós esperamos lançar filmes em ambos os formatos“, relatou já na época.

Depois disso, a AMC anunciou que não projetaria nenhum filme da Universal em suas salas. E alertou que faria o mesmo com todos os estúdios que adotassem a mesma tática.


Sala de cinema. Foto/ Divulgação: Dicas da Disney e Orla


Depois da AMC, foi a vez do grupo Cineworld, proprietário do segundo maior circuito de salas de cinema do mundo, a Regal Entertainment, ameaçar a Universal. Em declaração ao Deadline, um porta-voz da companhia disse que existe um acordo comercial entre as salas de cinema e os estúdios. A Cineworld chamou a decisão da Universal de lançar Trolls 2 em VOD de “completamente inapropriada” e “desprovida de boas práticas de negócios, como parceria e transparência“.

O acordo vale para todos os filmes do catálogo da Universal, mas o estúdio deve escolher os filmes de  menor orçamento. E não deve aplicar a nova regra em blockbusters como 007 – Sem Tempo Para Morrer ou um Velozes e Furiosos.

Por: Jonathan Rosa

(Foto Destaque: Universal Pictures/AMC. Reprodução: Cine Pop)

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