Uma empresa farmacêutica dos Estados Unidos diz que a resposta imunológica da vacina é segura e que os níveis de anticorpos se assemelham aos de pessoas curadas

A busca para um meio de deter o coronavírus em todo mundo não para. Diversos profissionais e empresas estão batalhando incessantemente para produzir uma vacina, para que dessa forma possamos combater esse mal. Em meio à tanto caos, essa semana tivemos uma boa notícia. Os primeiros resultados do teste em seres humanos de uma vacina genética contra o coronavírus foram anunciados  segunda-feira (18), nos EUA.


Vacina contra COVID-19

Muitas empresas estão trabalhando em vacinas conta o coronavírus. (Foto: Reprodução/ Adobe Stock)


Em uma velocidade nunca vista, a empresa conseguiu bons resultados em 8 pacientes que foram vacinados. Com isso, o sistema imunológico de cada um produziu anticorpos contra o SARS-CoV-2, mostrando-se seguro. Vale lembrar que existem muitos outros remédios e vacinas sendo elaborados. Segundo a Revista EXAME, há mais de 100 vacinas e 200 remédios contra a covid-19 em fase de testes no mundo. Entretanto, nem todas mostram-se tão avançadas, por isso o destaque a algumas como é o caso da empresa Moderna, uma indústria farmacêutica dos Estados Unidos.

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Apesar de parecer pouco, dada a situação, cada pequeno avanço se mostra um grande passo para o mundo. Pois isso significa o início do desenvolvimento de uma vacina que irá controlar a pandemia. Até o momento, o distanciamento social foi uma das formas adotadas para tentar conter a contaminação. Vale lembrar que levará pelo menos 12 a 18 meses para saber se a vacina da Moderna, ou qualquer outra, é segura e eficaz. Mas, segue sendo um marco.

Como a vacina está sendo produzida?

A vacina da Moderna não é especial apenas por ser a primeira a chegar na fase de estudo em humanos. Mas também por  ser feita de mRNA, uma tecnologia genética considerada extremamente segura, barata e simples de fazer.

Normalmente, as vacinas funcionam dando às células o sabor de um vírus. Para que o nosso corpo o reconheça como um intruso e bombeie anticorpos para combater uma invasão semelhante no futuro.

Por décadas, as vacinas tradicionalmente continham uma versão morta ou enfraquecida do próprio vírus. Os primeiros avanços na genética permitiram que uma vacina usasse apenas proteínas produzidas pelo vírus. Esse método foi usado para desenvolver outras vacinas, com a da hepatite B. A Moderna por sua vez, fez diferente. Ao invés de usar vírus ou proteínas, as plataformas funcionam apenas com o material genético. A biotecnologia está focada no RNA mensageiro (mRNA), o material genético do DNA que produz proteínas.

Como funciona a produção de uma vacina. (Foto: Reprodução/ Jornal OGlobo)


Dessa forma, esse RNA tem instruções para que as células produzam proteínas específicas do coronavírus, que serão “exibidas” ao sistema imunológico, fazendo o corpo produzir anticorpos em resposta. Ou seja, se a pessoa for infectada, terá anticorpos de prontidão para repelir o coronavírus e não ficará doente.

Saindo na frente

Mas afinal, como a Moderna está tão a frente? Os profissionais entraram em alerta desde janeiro de 2020, quando o CEO da empresa, Stephane Bancel viu um artigo do Wall Street Journal descrevendo um “surto misterioso de vírus” na China central.

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Após isso, ele entrou em contato com o Dr. Barney Graham, vice-diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas do National Institutes of Health (Instituto Nacional de Saúde). Até então não se sabia muito sobre o vírus, porém depois de alguns dias o novo coronavírus apareceu. Assim, Bancel pediu ao líder do NIH para informá-lo quando eles tivessem a sequência genética do vírus. Dando a entender que sua empresa já estava pronta para trabalhar.

E foi isso que aconteceu, enquanto a doença começava a se espalhar em meados de fevereiro, funcionários da Moderna, cerca de um décimo da força de trabalho da empresa, trabalhavam dia e noite para desenvolver uma vacina contra o coronavírus. Após 42 dias do recebimento da sequência genética do vírus, a empresa já estava mandando seu primeiro lote de vacinas para ser analisado.

Como será a partir de agora?

A empresa já está planejando iniciar outro teste para a vacina em breve, analisando sua eficácia, com um teste em estágio final já agendado para o meio do ano. Eles mantém um ritmo acelerado de pesquisa. Ademais, a segunda fase virá nas próximas semanas, com aproximadamente 600 voluntários. Por fim, a terceira e última fase, como já dita virá em julho e contará com milhares de pessoas.

Por: Gabriela Garcia

Imagem em destaque: Teste para vacina tem resultado positivo. (Reprodução/IStock)

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